#7 o que me faz ser quem sou
coisinhas que só eu entendo
uma vez eu ouvi dizer que a frida kahlo disse que fazia muitos autorretratos porque ela era a pessoa que melhor conhecia. e é por isso que hoje escreverei sobre mim mesma: porque, apesar de não saber quem sou direito, life is for learning – já dizia joni mitchell em “woodstock”. mulheres me inspiram a ser uma pessoa melhor.
sou leonina, sou egocêntrica, mas também tenho muito câncer no mapa astral. dito isto, fui uma pessoa melancólica e com baixa autoestima a vida toda. hoje sou feliz e aprendi a gostar um tiquinho de mim, então vou compartilhar com vocês, queridos amigos, algumas coisinhas que me fazem ser quem sou. apenas algumas. talvez faça uma parte dois. se alguém quiser.
★ barbie™
não há um nenhum outro brinquedo que eu amei mais do que a barbie™ quando era criança. meu pai compensava a ausência afetiva dele comprando várias pra mim e isso me fez uma criança muito mais feliz!
eu gostava do combo roupas & móveis. achava tudo tão colorido, estampado, brilhante, espalhafatoso. realmente acreditava que crescer era se transformar em uma my scene™ super descolada. talvez ainda acredite.
★ a banda cansei de ser sexy
alguns têm mamonas assassinas, eu tenho a banda cansei de ser sexy. a música pode ser divertida! e descolada! e muito boa! eu tinha apenas 9 aninhos de idade quando vi o clipe de “alala” na mtv e fiquei fascinada com o gore explícito. sim, fui uma criança indie com orgulho! e continuo sendo uma criança indie com orgulho! alguém me leva no show delas? elas só fazem show em festival caro :((((
★ “as meninas” (lygia fagundes telles, 1973)
em 1973, 25 anos antes de eu nascer, lygia fagundes telles escreveu um livro sobre mim. eu SOU esse livro. a lorena com suas divagações sobre jimi hendrix e pétalas de rosas, a lião lacrando com sua militância de esquerda e a ana clara meio bitolada, tadinha – eu sou todas elas. leia e você entenderá TUDO!
★ christiane f.

★ “pet sounds” (the beach boys, 1966)
ninguém além de brian wilson soube escrever tão bem sobre a dor excruciante que é crescer. e sentir que não pertence a lugar nenhum. e ter medo de decepcionar as pessoas. e decepcionar as pessoas. e querer morrer. esse álbum me salvou de partir dessa pra uma pior já que ou eu iria pro UMBRAL ou pro INFERNO.
★ riot grrrl
meninas que descobrem precocemente a existência do patriarcado crescem revoltadas e se deparam com o movimento riot grrrl em algum momento da adolescência delas. ok, isso foi muito específico, mas foi assim que aconteceu comigo. imagina um negócio que junta feminismo e música. pra uma garota como eu, isso foi como descobrir atlântida.
★ “como ter uma vida normal sendo louca” (camila fremder & jana rosa, 2013)
esse livro era a minha bíblia durante a adolescência. pra mim era muito mais engraçado que qualquer sitcom americana que estava em alta. só inteligentes conseguem entender o humor de camila fremder & jana rosa – e eu entendi.
sonho com mais livros nessa pegada irônica, ácida e descontraída, mas nenhum está no mesmo nível que “como ter uma vida normal sendo louca”. talvez “como ser parisiense em qualquer lugar do mundo” (caroline de maigret & companhia, 2014) ou “tudo o que eu sei sobre o amor” (dolly alderton, 2018). talvez.
★ obsessão por perfumes
em algum momento da minha vida fiquei obcecada pelas atrizes da era de ouro de hollywood™ e quis ter o mesmo cheiro delas. depois disso foi ladeira abaixo. ninguém me aguenta mais indo cheirar os mesmos perfumes na sephora, granado, o boticário, natura, avatim entre outras. também já gastei muito dinheiro comprando AMOSTRAS DE PERFUME. esse é meu nível de psicopatia.

★ “o mágico de oz” (victor fleming, 1939)
EU TAMBÉM enfrentaria uma bruxa malvada pra salvar um bichinho! EU TAMBÉM odeio sair de casa e quando saio quero voltar o mais rápido possível. EU TAMBÉM choro muito. EU TAMBÉM adoro a combinação azul & vermelho. a dorothy gale me representa tanto. “there’s no place like home”, ela disse. é a minha frase favorita de todos os tempos.
★ diários
sempre tive diários, mas fui uma criança catatônica e de vez em quando destruía todos eles. desde os 12 anos, contudo, não dei fim em mais nenhum, então é muito interessante acompanhar meu progresso e regresso porque a vida é assim, feita de altos e baixos. escrevo com milhares de canetas coloridas, faço colagens, coloco figurinhas e muito glitter. também desenho estrelinhas porque gosto muito delas.
caso queira saber o que escrevi nos meus diários, me deixe famosa! assim uma editora vai se interessar em publicá-los e eu finalmente vou poder capitalizar a minha dor (ela teve que servir pra alguma coisa, não é?).
★ fashionismo
sou fashionista desde criança. ainda me lembro quando recusei ir a escola sem uma bota, uma bolsa e um anel de pelinhos. meus ícones de estilo incluem:
✸ bonecas my scene™
✸ o jogador de basquete dennis rodman
✸ a jurada de shows de calouros elke maravilha
✸ a boutique BIBA
✸ debbie harry da banda blondie
✸ groupies dos anos 70
✸ qualquer pessoa que andava com o andy warhol
✸ brian eno em sua fase glam rock no roxy music
★ rookie magazine
era uma revista-teen-digital-gringa que me fez gastar meu inglês de centavos pra ler todas as matérias que me interessavam (quase o site inteiro). lá se falava sobre tudo o que eu gostava: courtney love, “daria” (1997), riot grrrls, colagens, arte, feminismo, “twin peaks” (1990), bandas alternativas e por aí vai. a estética era impecável, tudo era meio artesanal e lembrava um diário.
★ “freaks and geeks” (1999)
essa série é tudo o que fui na adolescência (e obviamente carrego as consequências disso até hoje). fui uma lindsay weir ao contrário: eu era freak, mas virei geek. garanto que ser geek é bem melhor do que ser freak. tirar nota alta é muito bom, não no sentido egocêntrico da coisa (embora eu seja leonina), mas é que era um problema a menos pra se preocupar. e um tempo a mais pra degustar de coisas que eu gostava, como por exemplo a trilogia clássica de “star wars” e a banda rush.
★ britney spears
minha história com ela é antiga, acho que começou com “oops!... i did it again” tocando no site da barbie™ (olha ela aqui de novo) em meados dos anos 2000. depois defendi a princesinha do pop com unhas e dentes em 2007, quando todo mundo zombava dela. desde então as músicas da britney fizeram parte de todas as etapas da minha vida (mesmo na minha fase mais roqueira em que eu desligava o scrobble do last.fm pra ouvi-la). um dia farei uma newsletter apenas pra falar dela. ela é a MAIORAL.

e você? o que te faz ser quem você é?








não esperava ver o jogador de basquete denis rodman por aqui kkkkk gostei !!
que lindo te enxergar em cada linha, cada música, imagem, palavras 🫶🏼 amo quem vc é